29 de abr de 2008

O caso Isabella e o povo mórbido

No ultimo domingo estava olhando o Fantástico (não tenho TV á cabo, fazer o que?) e, como em todos os outros canais, estavam mostrando noticias sobre o caso Isabela. Só por isso a reportagem não me chamaria a menor atenção, afinal de contas, a imprensa tem explorado o caso da pobre menina de todas as maneiras possíveis, mas algo me chamou a atenção. O repórter por um momento se desviou do seu sensacionalismo para mostrar a turba que se formou em frente ao prédio onde estava sendo feita a reconstituição do crime.


Pra quem não da muita atenção ao comportamento humano, pode parecer que o amontoado de pessoas ali passaram o dia inteiro gritando por justiça mas, na verdade, como o repórter fez questão de demonstrar, o que levava os desgraçados aos gritos era ter uma câmera apontada para eles.


Atrás do cordão de isolamento se via cartazes de solidariedade, de indignação, de pedido de justiça com os criminosos, mas ao ter uma câmera apontada para seus belos rostos a única coisa que os expectadores de tragédia alheia faziam era rir. Riam aquele riso de quem sabe que está aparecendo na TV. Riam apesar de estar protestando e acompanhando o desenrolar de um caso extremamente trágico.


Só posso classificar esta atitude como mórbida. É como quando há um incêndio e todo mundo corre pra ver, apesar de saber que não tem como ajudar. É até pior, algumas daquelas pessoas são o tipo de gente que para o carro, atrapalha o transito, se mete o mais no meio do tumulto o possível só pra poder ver um acidente de carro, e se lamenta se não tiver nenhum morto porque, obviamente, sem morte, a história não fica tão interessante quando for contar pros amigos.


Hoje me deparei com um texto no Verdes Trigos escrito pelo Contardo Calligaris que expressa bem o que estou tentando dizer. Ele pode ser lido no link http://www.verdestrigos.org/sitenovo/site/cronica_ver.asp?id=1525

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