1 de set de 2009

Tudo que você não precisa saber sobre a gripe suína


Não semana passada pude viver uma experiência interessante e tudo começou com alguns sintomas comuns de resfriado. Não sei exatamente de onde veio, só sei que chegou bem rápido e passei um final de semana bem desagradável com dor, febre e tosse.

Até ai tudo bem, como sempre negligenciei minha saúde ( não aceito muito bem o fato de ficar doente) e levei numa boa, tomando os remédios comuns para tratar os sintomas de resfriado. Na Segunda-Feira já me sentia bem melhor, apesar de ainda ter tosse e ter a impressão de que minha respiração estava um pouco pesada. Até o final do dia não percebi o que estava acontecendo, já que não faço nenhum tipo de esforço físico no meu trabalho, mas ao final do dia, quando fui dar uma leve caminhada, do local onde trabalho até uma garagem próxima, percebi que o ar parecia sumir dos meus pulmões.

Eu não sei ficar doente, não sei me tratar direito, não sei aceitar que tem alguma coisa errada comigo, mesmo que isto esteja muito claro. No entanto, a falta de ar foi um alerta contundente, que me fez resolver visitar um médico no dia seguinte. Só posso dizer que tive sorte sorte de não ter piorado muito durante a noite.

No outro dia a falta de ar se tornou constante, o que me fez perceber que a prioridade era mesmo visitar o médico. Então lá fui, na minha ilusão que ele me daria algum remédio, que faria sumir instantaneamente a falta de ar, e me liberaria para seguir minhas atividades normalmente ao longo do dia.

Minhas ilusões começaram a cair por terra quando o médico colocou o estetoscópio em mim, fez uma cara de WTF e me mandou imediatamente tirar um raio-X dos meus pulmões. Depois de tirar o raio-X, levar para o médico, ver mais uma cara de WTF, ele apontou a chapa, mostrando que tinha alguma coisa no meu pulmão - eu fazendo aquela cara de quem está estendendo  tudo – e me disse que eu não tinha condições de trabalhar, que tinha que ficar em repouso por alguns dias e tomar alguns antibióticos com nomes quase impronunciáveis – que vieram comprovar minha teoria de que os remédio com nome complicado são sempre mais caros. Diagnóstico: pneumonia.

Ao invés de uma remedinho milagroso, eu sai do médico com um receita gigante e um atestado de afastamento do meu trabalho.

Por um momento, até achei legal tirar uns dias de folga, mas ao longo do dia percebi que meus dias em casa não seriam tão ‘folgados’. A principio achei exagerada a recomendação do medico de que eu deveria começar a tomar os remédios o quanto antes, mas depois de algumas horas, quando descobri que não consegui movimentar um musculo sem ter a sensação de que estavam enfiando minha cabeça dentro de um saco plástico, comecei a ficar bem mais simpático em relação aos remédios.

Mas porque escrever aqui no blog um post tão pessoal, coisa que não costumo fazer?

image Resolvi escrever este post porque a alguns dias foi anunciado que o Brasil já é o país que mais registra mortes por gripe suína no mundo. Resolvi escrever este post porque, apesar de relatar uma série de sintomas para o médico, percebi que em nenhum momento ele tocou no assunto da gripe suína. Resolvi escrever este post porque percebi que, hoje, no Brasil, um médico, seja do serviço publico de saúde ou particular, não tem condições de diagnosticar a gripe suína, principalmente porque o Ministério da Saúde definiu que não seriam feitos mais exames para detectar a nova gripe – duvida? Olha aqui então (resposta 13).

Depois de pesquisar na internet e falar com outros médicos, descobri que a gripe suína se assemelha muito a gripe comum, o que dificulta o seu diagnóstico. Também descobri que a maioria das pessoas contaminadas, vão se curar criando anticorpos para se proteger do novo vírus – sem tomar Tamiflu inclusive – e essa pessoas passarão a ser imunes ao vírus.

O perigo são justamente as pessoas que já tem problemas de saúde ou um sistema imunológico deficiente. Essas pessoas correm um sério risco, pois a gripe age muito rapidamente no organismo humano e ninguém tem nenhuma defesa contra ela – ao contrário da gripe comum, para a qual já existem vacinas a um bom tempo.

Usar mascara e evitar aglomerações são meros paliativos. A única forma eficaz de combater o vírus que eu percebo é bem simples: você apresenta sintomas? Fique em casa. Evite contaminar outras pessoas com o que você tem, seja lá o que for. Claro que essa atitude poderia causar problemas para algumas pessoas; nem todo empregador aceita pacificamente dar uma semana ou até mais de folga para um funcionário porque ele está gripado. Pois é ai que o governo deveria agir, incentivando trabalhadores a exigir um período de folga enquanto estão doentes.

Acontece que a administração pública no Brasil tem um sério problema com gerência de recursos e é bem deficiente na hora de realizar medidas efetivas. Não estou dizendo que o governo não está fazendo nada, porque ele está; mas não posso deixar de perceber que, o que está sendo feito, está surtindo um efeito muito aquém do necessário.

Durante os dias que fiquei em casa, pesquisei muito sobre a gripe suína, tanto que devo saber quase tudo que se há para saber sobre ela; mas a única coisa que eu não consigo saber é: eu fui contaminado?

 

 

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3 comentários:

  1. Idem amigo. Passei duas semanas assim. Uma semana, terrível, com asfixia, exaustão permanente, dores em todas as articulações possíveis... Só não tinha a coisa da febre. E não fui ao médico. Sinceramente, não gosto muito desse pessoal. Acho que foram Inquisidores na outra encarnação, e no retorno a vida optaram por medicina por ser a profissão que mais se assemelhava.

    Mas o que seu posty alerta é super importante. Além dos casos e mortes divulgados, muitos outro casos e óbitos devem estar sendo jogado na conta de outras doenças corriqueiras. As autoridades perderam feio para a pandemia. Mandam enfermeiros te atender. Demoraram séculos para um toque de recolher - recesso nas eescolas foi pouco, vejo no México os 5 dias de recesso geral.

    Agora, tentam camuflar como pode.

    Abraços

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  2. Realmente Jose. Acho que por sorte, fui atendido por um médico minimamente qualificado, senão, minha situação poderia ter se agravado bem mais.

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