1 de dez de 2009

Sobre livros e histórias infantis

momo Sempre gostei muito de ler e sempre tive uma paixão enorme por livros. Minha infância e minha adolescência foram especialmente recheadas da fantasia e da realidade dos livros que eu lia. Lembro até com um certo carinho de um dos primeiros livros infantis/juvenis cuja história realmente me envolveu, o livro se chamava Momo e o Senhor do tempo, de Michael Ende e contava a história de Momo, uma menina que era especial pois tinha a habilidade de ouvir. Mas não apenas escutar o que lhe diziam, mas realmente OUVIR, pois independente de entender ou não do assunto do qual lhe falavam, ela ouvia. Ouvir é uma coisa que fazemos muito pouco e que portanto, deveria ser ensinado desde a infância. Se fala muito em ouvir o que um filho tem a dizer, mas alguns pais se esquecem de ensinar seus próprios filhos a ouvirem. Uma sociedade onde todos falam e ninguém ouve acaba se tornando uma aberração.

Mas voltando a história de Momo, outro ponto que me fascinava era a narrativa que girava em torno da luta da protagonista (que não era bem uma luta, pois Momo era apenas uma criança) contra 'homens cinzentos', que queriam roubar o tempo das pessoas e guardar tudo para si. E quando os humanos tinham seu tempo roubado, passavam a fazer tudo muito rápido, porque o tempo que lhes era concedido era muito pouco. Para aproveitar o tempo, as vitimas de roubo do tempo acabam tornando suas atividades cada vez mais mecânicas, buscando sempre a máxima eficiência e o maior lucro. Não existia mais tempo para sentir prazer nos pequenos e grandes momentos, apenas uma necessidade desesperada para viver cada coisa o mais rápido o possível, para não se atrasar para o próximo momento a ser vivido.

Obviamente quando criança eu não entendi a lição que a história pretendia passar usando a metáfora dos ladrões de tempo, mas mesmo assim lembro de ter aprendido com essa história como o tempo jamais é absoluto e não passa na mesma velocidade para todos.

Momo e o Senhor do tempo com certeza influenciou positivamente o meu hábito de ler.

Não tenho certeza disso, mas tenho a nítida impressão de que quando eu era mais novo (o que não faz tanto tempo assim) os livros eram bem mais caros do que são hoje. Entrar numa livraria era prazeroso e ao mesmo tempo torturante, já que sabia que meus pais não podiam me comprar todos os livros que eu queria, e decidir qual eu iria levar e qual eu iria ter de esperar até o próximo mês, a próxima mesada ou a próxima data festiva para ter levava horas.

Infelizmente nem minha cidade nem minha escola tinham bibliotecas como as que vemos nos grandes centros urbanos, onde existem mais livros do que se pode ler em uma única vida, mas nem por isso deixava de visita-las pelo menos uma vez por semana.

Uma alegria foi ter descoberto os sebos e as feiras de livros, onde eu podia comprar muito gastando pouco. Sinceramente não entendo o preconceito que algumas pessoas tem com os sebos e os livros usados, já que livros não são como bens de consumo ordinários, que se gastam ou deterioram com o uso. Um livro velho, de folhas amareladas, pode valer tanto ou mais do que aquele best-seller novinho de capa brilhosa que se vê exposto em destaque nas maioria das livrarias.

Hoje estão na minha lista de leitura Isaac Asimov (ainda pretendo fazer um post sobre o autor), Uma Breve História do Tempo do Sthephen Hawking e O Anticristo de Nietzsche. Assim que puder, pretendo comprar os livros que completam a coleção de O Guia do Mochileiro das Galáxias, já que só li o primeiro até agora.
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Dois bons posts sobre Momo e o Senhor do Tempo:
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Fiz este post pois percebi que falo muito pouco de literatura e livros neste blog, o que é triste mas acaba sendo motivado por ter cada vez menos tempo para leitura.

Alguns links neste post são monetizados e servirão para mim testar o programa de afiliados do Submarino. E não, eu não me envergonho de monetizar meu blog.

5 comentários:

  1. li este livro quando criança mas com outro titulo: Manu, a menina que sabia ouvir. Me lembro vagamente de ser um tanto perturbador (eu era muito nova) e de admirar a garota que sabia ouvir.
    No momento estou na fase 'biologia': lendo Darwin, Dawkins, Margulis e Sagan (Microcosmo) Entendendo bem pouco e me maravilhando com tudo. Se é um curioso como eu (biologia, astronomia, geologia e afins) recomendo Breve História de Quase Tudo. Adorei e já li umas 3 vezes. Também terminei recentemente O mundo assombrado pelos demônios (Carl Sagan), é livro de se ler em dois dias, excelente.
    Gostei muito do texto, espero encontrar outros na categoria literatura. :)

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  2. Muito obrigado (atrasado) pelo comentário Ariane. Tinha até achado que ninguém havia lido este meu post. Com certeza farei mais posts sobre literatura.

    Vou ler o livro do Sagan que você me recomendou, ainda não conhecia ele.

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  3. Momo era um dos meus livros preferidos na infância; eu o tenho até hoje. Só que o meu título ficou Manu, a menina que sabia ouvir. Não sei porque a mudança do nome...

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  4. Neste "post", se mudássemos os nomes, seria também a história de minha vida, no que se refere à leitura - e só não enumerar outras porque o espaço não foi feito para isto - me deixou perplexa! Me senti acompanhada. Agora penso, quantas crianças percorreram este mesmo caminho? Muito legal Teilor; e realmente não se envergonhe de monetizar seu blog. Dinheiro = Energia = Tempo = Amor.

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  5. Nem sabia que o livro tinha sido editado com outros nomes Aline, o meu livro eu estranhamente não lembro onde está, acho que emprestei e não me devolveram; só espero que ele não esteja abandonado em alguma gaveta.

    Virginea, também fico imaginando quantas crianças seguiram caminhos semelhantes com a literatura e quais livros que ficaram marcados para elas. Hoje tente incentivar meu irmão a ler.

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