A Veja dessa semana (edição 2133 de 07/10/2009) trás uma entrevista com a blogueira cubana Yoani Sánchez. Mas chamar essa mulher de blogueira pode até ser ofensivo, dependendo de quem estiver lendo este texto, afinal de contas, nos acostumamos a ver o blogueiro como aquele cara bonachão ou aquela menina antenada com tecnologia, como aquela pessoa que sempre nos diz qual é o vídeo do momento no Youtube, qual o último hype da internet ou tece seus comentários ácidos e
sofistas aos quais todos os outros blogueiros e aprendizes tecem os seus melhores elogios ou as mais arraigadas criticas (fruto da inveja muitas vezes).

Seria mais correto dizer que Yoani Sánchez é mais que uma blogueira, e já expliquei isso
neste post, e que seu blog, o
Generación Y é bem mais que um blog, pois se mostra como um diário da vida cubana, como um retrato frio mas ao mesmo tempo cheio de poesia sobre como é a realidade nesta pequena ilha, meio esquecida do mundo, de onde escutamos muitas lendas e fantasias e muito poucas verdades.
Todos sabemos (e se você não sabe estou te contando agora) que a linha editorial da Veja deixa muito a desejar quando se trata da imparcialidade que se espera do jornalismo politico, mas mesmo assim, não deixo de acreditar nas verdades ditas por Yoani em sua entrevista.
Quando estava no Ensino Básico, tinha uma professora que afirmava que as escolas de medicina cubanas estavam entre as melhores do mundo e que muito disso era fruto da ideologia socialista aplicada ao ensino na ilha. Durante o Ensino Médio tinha um professor de história que ostentava com orgulho camisetas com a face de Che Guevara, pois afirmava que o mesmo tinha sido o maior herói da América Latina; pois acreditei nisso até saber que este mesmo Che tinha outras facetas, como por exemplo o de um frio assassino, que não hesitava em matar em nome de seus ideais políticos. Acho que se as pessoas conhecessem mais precisamente a história, seriam mais cuidadosas ao levantar bandeiras e ostentar símbolos.
Pois Yoani deixa claro em sua entrevista que muitas das ditas
conquistas da revolução não passam de propaganda politica ou histórias de um passado quando a extinta União Soviética injetava recursos no país. Existem sim boas escolas de medicina, mas a carreira de médico é bem pouco atrativa nos dias atuais, a situação dos hospitais e da saúde pública é tão lastimável que fariam qualquer brasileiro amar aquela fila do SUS que eventualmente tem que enfrentar para conseguir uma consulta.
No fim das contas, o governo cubano é apenas
o mais do mesmo que vemos em todos os governos sul americanos: corrupção, ideologias, messianismo politico e tudo isso coberto com uma capa socialista e cercado por um muro que isola seus habitantes do resto do mundo.
São exemplos como os da Yoani que me fazem, de vez em quando, deixar de lado assuntos mais crassos, como a bunda da Juliana Paes, para tratar de assuntos mais sérios. Porque a maioria dos cubanos pode até nem saber o que é um blog, pois a internet é praticamente proibida a população, mas um dos melhores e mais respeitáveis blogs que conheço é escrito em Cuba e sobre Cuba.
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Yoani foi entrevistada pela Veja em ocasião de ter sido convidada a falar no Senado brasileiro e a comparecer ao lançamento de seu livro De Cuba, com Carinho (Contexto), em São Paulo, a permissão do governo para que ele participe destes eventos provavelmente será negada, como todas as outras que ela já pediu. Você pode ler a entrevista da Veja aqui (acho que precisa de cadastro)
Existe também uma versão traduzida do Generación Y para o português.