24 de jan de 2010

Não me obrigue a ler Machado de Assis!


Eu lembro que quando estava na oitava série do Ensino Fundamental tínhamos uma prova de literatura por bimestre. Cada aluno deveria ler um livro que se enquadrasse como Literatura Clássica Brasileira e fazer a prova sobre aquele livro. Minha professora de português, além de inteligente e culta, era muito rígida com o conteúdo e já tinha lido e relido todos os livros dos autores clássicos brasileiros; ou seja, não havia jeito de engana-la, quem não lesse o livro ou só lesse um resumo, com certeza seria reprovado, pois as perguntas eram bem especificas e tratavam do enredo, da construção dos personagens e da ambientação da história.

Sempre fui amigo dos livros, então eu lia uns três por bimestre e escolhia um deles para fazer a prova; mas alguns dos meus colegas sofriam para ler um único livro. Dias antes da prova, alguns alunos começavam a bolar planos mirabolantes para conseguir ler tudo que não leram durante o bimestre ou saiam a caça de versões cinematográficas dos livros que deveriam ter lido (o que quase nunca dava certo).

Foi nessa época que eu li pela primeira vez um livro de Machado de Assis (ou me iniciei em Machado de Assis, como um famoso roteirista de novelas costuma dizer). Não tenho certeza sobre o que achei na época, mas lembro que não fiquei muito empolgado com a história. Depois de mais crescido resolvi ler de novo Dom Casmurro, imaginando que poderia captar os nuances da história que ficaram ocultos a minha mente infantil no passado e poderia então entender melhor a história de Bentinho e Capitu. Não sei se compreendi melhor a história nessa segunda leitura mas fiquei com a certeza de que Dom Casmurro era o livro mais chato e aborrecedor que eu já tinha lido.

Caricatura de Machado de Assis Me perdoem os fãs de Machado de Assis, quem tem entre seus maiores defensores algumas pessoas que nunca realmente leram um livro dele, mas Machado de Assis é muito CHATO. É claro que quando criança eu não me interessei pela história; como poderia se todo o enredo não tratava de outra coisa senão pequenas intrigas da burguesia carioca do século XIX (será que daqui a cem anos Bruna Surfistinha vai ser considerada Autora Clássica?).

Posso entender que Machado de Assis seja celebrado por criar novos formatos literários, mas a quem interessa o formato se a história é uma porcaria que no máximo despertaria o interesse de outros burgueses ou menos burgueses – qualquer semelhança com aquela novela onde ninguém trabalha e cujo cenário se resume ao Rio de Janeiro não é mera coincidência.

Mas não se engane achando que estou escrevendo este post apenas para atacar um autor que não me agrada. O que pretendo é deixar claro meu repudio por um currículo escolar que afasta estudantes do mundo dos livros lhes oferecendo Machado de Assis. Poucos tem a sorte que eu tive de conhecer outros autores clássicos que valem um pouco mais a pena, como José de Alencar e seus romances indianistas, que embora alguns ainda considerem enfadonhos, são com certeza muito mais excitantes que as câmaras, palacetes e gabinetes de Machado de Assis.

Sabiam que o a disciplina de literatura de algumas escolas britânicas tem Senhor dos Anéis em seus currículos? Interessante, não é mesmo? Mas mais interessante seria tentar convencer os educadores brasileiros á incluir em nossos currículos algum livro que não fosse repugnante ao gosto juvenil e adolescente. Está na hora de entender que privilegiar a cultura nacional nem sempre é a melhor escolha quando se trata de educação.

Acho importante que conheçamos nossos autores, mas envia-los garganta abaixo só vai afastar os mais jovens do mundo literário e eles provavelmente nunca mais perceberão a leitura como um prazer, mas sempre como uma obrigação.

Ensinar literatura é perda de tempo quando não se consegue ensinar o gosto pela literatura. E se oferecer Senhor dos Anéis, Harry Potter, talvez alguns dos excelente autores brasileiros que temos, ou até mesmo Crepúsculo – arghh! – vai fazer com que as crianças e adolescentes aprendam a gostar de ler, então deixemos o senhor Machado empoeirar nas estantes e no falatório dos literatos e optemos pela melhor escolha.

24 comentários:

  1. Pois é, mas isso não ocorre em todas as escolas brasileiras, uma escola em específico em Jundiaí/SP, promove leitura de outros livros além dos clássicos dos currículos. No final do ano, enquanto alunos de escolas randoms "lêem" (pois a maioria é resumo) 4 livros por ano, nesta escola chegam a ler de 16 a 40 livros, incluindo Nárnia, Senhor dos Anéis, Sherlock Homes e coisas que são MUITO mais interessantes e construtivas do que as prostitutas e intrigas da burguesia presentes na literatura clássica. Ou seja, nem tudo está perdido!

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  2. Que bom saber que ainda existe esperança Samuel. Infelizmente nunca encontrei nenhuma escola como a que você citou, mas espero que esse tipo de iniciativa se espalhe pelo país.

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  3. Hi, Teilor...

    Permita-me "desconcordar" do amigo, mas Machado de Assis NÃO é chato. Ele, na verdade, é CHATÍSSIMO e prolixo!

    Agora, concordo plenamente com a idéia de que se somos obrigados, na infância/adolescência a ler livros que se nos aparentem chatos, jamais tomaremos gosto pela leitura. Isto é um fato.

    Urge uma mudança de atitude dos mestres, neste tocante, urgentemente. Ou continuaremos a ter universitários/formandos que sequer sabem interpretar um texto.

    []'s @inaciorolim

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  4. Acho que nós 'desconcordamos igual Inácio.

    E com certeza muitas universitários e formados tem dificuldade de interpretar um texto justamente porque 'aprenderam' que ler é uma tarefa chata e uma obrigação desagradável.

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  5. Teilor,

    Eu entendi e compreendi o que você disse em seu “post”.

    Confesso que eu também já enfrentei o mesmo dilema com Machado de Assis.

    O problema que você e muitos jovens estão enfrentando, e que eu na época também enfrentei, é um mal que provém, digamos, da indústria de “literatura digestiva”, comerciável, de fácil assimilação, que não exige tanto do leitor, diferentemente do texto rebuscado e sutil de MA.

    Eu só pude perceber o quanto MA tem uma construção de texto primorosa e perspicaz, aos vinte e cinco anos de idade, quando realmente tive a percepção de que realmente se tratava de um dos maiores escritores da língua portuguesa de todos os tempos!

    Teilor, não tenho a pretensão de obrigar você nem ninguém a ler MA, mas recomendo-lhe paciência e que reveja o seus conceitos, pois para qualquer pessoa que escreva em língua portuguesa (como é o seu caso) é imprescindível tentar perceber as nuances dos textos machadianos, no que sugiro a leitura do ótimo conto “O Alienista”.

    Em suma: MA está para a Língua Portuguesa, o que Beatles está para o rock’n’roll!

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  6. Obrigado pelo comentário Harley.

    Você trouxe um ponto importante para a discussão que é a 'literatura digestiva' como você chama. Embora essa literatura não possa ser considerada do mais alto nível com certeza ela poderia ser usada para despertar o gosto pelos livros nos mais jovens, pois como você mesmo disse, ela é de mais fácil assimilação.

    Não discuto a qualidade do formato empregado por MA, já que não tenho embasamento e conhecimento para tal, apenas coloco minha opinião em relação a suas histórias.

    Também me desagrado bastante de Beatles, mas ai já é outra história.

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  7. E aí, véi! Beleza?

    Você tem razão. Antes de se ler escritores clássicos de qualquer gênero ou língua, é necessário acender o gosto pela leitura.

    Seguindo a linha de seu raciocínio, no meu tempo de adolescente, na década de 50, os professores criticavam os alunos que só gostavam de ler as HQs. Pois bem, no meu caso foram as HQs que me despertaram o prazer para a leitura e a imaginação, tais como os hoje criticados Harry Potters e Crepúsculos da vida...

    Quanto aos Beatles, foi proposital a comparação com MA. O rock e a música pop somente evoluíram com os Fab Four, assim como a literatura brasileira com MA.

    Você [ainda] não gosta dos dois, como eu previa, mas como eu disse: tenha paciência!

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  8. Você tá avaliando uma obra em que o brilhantismo predomina na forma, e não no conteúdo. Para a época, roteiros bem feitos não eram o primeiro plano. A arte tem um pouco desse lance de, por vezes, trabalhar mais a forma. Vide o Spaw - traços fantásticos, porém enredo péssimo. Ou a arte abstrata.

    "Está na hora de entender que privilegiar a cultura nacional nem sempre é a melhor escolha quando se trata de educação."

    Cara, acho que aí consta uma hiperbolica besteira. Qualquer educador discordaria de você. Não existe educação para o mundo. Leia o livro Pedagogia do Oprimido, vai te convencer a mudar sua visão.

    Quanto ao Machado, nunca achei interessante, mas o legal que existe construções gramaticais que só ele fez até hoje, isso é o mais fantástico. Ele está para a língua portuguesa como o Pitágoras está para a geometria poligonal.

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  9. Só li mesmo Dom Casmurro e olhe lá. Prefiro Carlos Drummond de Andrade. ;-)

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  10. Teilor, sei que este não é o espaço adequado para a pergunta que vou fazer, porém por não conseguir me comunicar com google e por vê que você é um dos pouco que entende o que acontece no blogger, venho por meio deste lhe pedir auxílio, pois atualmente tenho um blog o www.idagospel.com na plataforma do blogger com 500 visitas diárias e quando acessei o painél de controle surgil a mensagem de erro bX-7ny41i se você pode me ajudar, por favor entre em contado. prjulio@idagospel.com Desde já agradeço a atenção

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  11. Pastor Júlio Fonseca, apenas as perguntas postadas no fórum serão respondidas, afim de que possam ajudar outros usuários. Poste sua pergunta lá.

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  12. Quando adolescente tentei por duas vezes ler Dom Casmurro mas não consegui. Não tinha paciência pra ficar relendo as frases complexas com muitas palavras que tinha que procurar no dicionário.

    Li Tolkien ainda no colegial e isso só me fez gostar ainda mais de ler. Seria ótimo se as escolas incentivassem dessa forma o gosto pela leitura.

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  13. André HP, não entendi bem o que você quis dizer com 'não existe uma educação para o mundo', mas vou ler o livro que você me recomendou, pesquisei por ele e me parece uma leitura bem interessante. Em relação a arte, não tenho o que discutir.

    Obrigado pelo comentário Michel, eu acho que prefiro ler bula de remédio a Machado de Assis.

    Júnior, você exemplificou muito bem o que tentei dizer neste post, obrigado.

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  14. Estou batendo palmas para você aqui!
    Nem me refiro tanto à sua forma de escrita de desenvolvimento do tema que foi fantástica, mas em especial à sua coragem de ter publicado isso em um blog público sabendo que várias pessoas e adoradores do Machado poderam lê-lo

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  15. Oi, Teilor! Você não é o primeiro a quem eu vejo dizer que não gosta de Machado de Assis. Também penso que para incentivar a leitura não tem que ser desse jeito. O aluno já fica estressado com tantas coisas que a escola manda-o fazer! Não sabia que os Britânicos mandavam os alunos ler esses livros... Interessante! Eu já tive a cópia em xerox do livro Dom Casmurro, dado por uma professora, que nunca li...
    bjs

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  16. Levi, obrigado pelo comentário. Nem sei se trata-se de coragem. Nunca tive medo de dizer abertamente que não gosto de Machado de Assis, mesmo entre amigos e conhecidos que se escandalizam com minha afirmação.

    Lady Sixties, estamos de total acordo que forçar o aluno a ler, ainda mais um livro chato só vai prejudica-lo.

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  17. Mas se Machado de Assis é chato, e Senhor dos Anéis então? Só o filme de senhor dos anéis já foi um saco. Quis me enforcar no cinema... OMG! Fizeram um filme gigantesco inteiro sobre pessoas andando. Aliás, uma trilogia de pessoas andando... Primeiro filme, gente andando... Segundo, gente andando... Terceiro, gente andando, chegando no vulcão e jogando o anelzinho fora... Até as árvores andavam naqueles filmes O.o E o final que não tem uma conclusão lógica, mas 25 finais diferentes... Ou os Hobbits gays pulando na cama do Frodo quando Frodo sai do coma e o Sam da uma olhadinha bem gay pra ele... Harry Potter é dose também... Mas pior ainda é Crepúsculo... Esse sim é um livro que não acrescenta, apenas decrescenta. Vampiros já são gays... Crepúsculo então, conseguiu torná-los mais gays ainda O.o Dizem que bicha não morre, vira purpirina. Isso é o que acontece em crepúsculo. Enquanto vampiros morrem no sol, os do Crepusculo não morrem, viram purpurina... Sim.. Dom Casmurro é um saco... Mas Memórias Póstumas de Brás Cubas é mto bom...
    Claro, Senhor dos Anéis é literatura inglesa.. Assim como Shakespeare, mas claro, que para muitos Shakespeare é um saco também.... Minha resposta: Sim e Não... Infelizmente a literatura brasileira, e por culpa da literatura brasileira é basicamente realista... Por culpa disso o cinema também... O quanto é culpa do governo ou da globo não sabemos. Sou contra as escolas incentivarem a cultura de fora e esquecer nossa rica cultura. Infelizmente nossa cultura muitas vezes é substituída por nossa ignorância... Quantas escolas que ensinam em aulas de música Villa-Lobos? Elas preferem falar sobre o axé, o pagode, o sertanejo... Devemos continuar incentivando a leitura de clássicos brasileiros, mas esquecer um pouco os mais famosos ou os mais difíceis e procurar os mais divertidos como "Memórias de Um Sargento de Milícias", "Triste Fim de Policarpo Quaresma" e, é claro, "Memórias Póstumas de Brás Cubas" do nosso amigo Machado de Assis. Por falar em literatura brasileira, por que será que todos conhecem "Sítio do Pica-Pau Amarelo" mas ninguém conhece "O Presidente Negro", do mesmo autor, Monteiro Lobato? Um livro bom e provavelmente o primeiro livro de ficção brasileiro e o único clássico de ficção na nossa literatura...

    Se for pra passar livros gringos, então esqueçamos as merdas de Harry Potter, Senhor dos Anéis e Crepúsculo que consegue a proeza de ser ainda mais afrescalhado que qualquer outro livro de vampiros. Vamos então falar de H.G. Wells, Julio Verne, H.P. Lovecraft e outros mestres como esses...

    Abraços
    do Terrinha

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  18. Não acho nada demais uma pessoa dizer que não gosta de um autor clássico (tipo Machado de Assis) o que acho estranho é uma pessoa dizer gostar de TODOS os autores e livros clássicos. Dá a impressão que a pessoa só quer dar uma de erudito. Ps: até que Dom Casmurro não é de todo o mal, o único livro que me lembro não gostar é Senhora.

    Ps: ensinar H.P. Lovecraft em escolas acho um pouco demais pra cá. Infelizmente o pessoal daqui é careta demais pra valorizar histórias de terror.

    Dica: Noturno é um ótimo livro de vampiro. Como eles são mais zumbis, não tem essa de afrescalhado. : )

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  19. Também acho HP Lovecraft um pouco pesado, independente dos nossos valores caretas Alan, mas Julio Verne, como o Terrinha sugeriu, já acho que seria muito bom para nossos estudantes.

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  20. Me desculpe me intrometer em tanta exposição presunçosa... nem pretendo de forma alguma defender MA aqui... mas li - chocado - a matéria e todos os comentários... o que me choca é não o fato de dizerem que MA é chato mas defender a inutilidade de sua literatura (deveríamos poder lê-lo e entendê- lo antes dos 25) em favor de livros que são novelas mexicanas sem qualquer valor humano ou formal. Aprender a ler é aprender a manejar conceitos em geral pouco simples, aprender as diversas maneiras de articular "NOSSA" língua... etc, mas entre tantas bobagens e conjugações/regências erradas, de repente entendi o nome do Blog!!!!!!!!

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  21. Acho que você começou com um texto muito complexo. Eu mesma nunca li Dom Casmurro (ainda).
    Meu primeiro foi A Cartomante e outros contos. Li no segundo grau e gostei. Cantiga de Esponsais também é legal e me amarrei em O Espelho também. A obra de Machado é muito vasta e variada para ser julgada por apenas um livro. Concordo que deveria se optar por títulos mais atraentes, mas isso não quer dizer que Machado de Assis não é apropriado; é só escolher um título mais leve, de preferência contos. E da mesma forma que você achou Machado chato, com certeza, há aqueles que acharam José de Alencar enfadonho. Vejo isso como uma questão de gosto apenas.

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  22. obrigado pelo post me ajudou no trabalho de literatura.

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  23. Concordo com a sua opinião de que a leitura
    deve ser incentivada por meio da experiência
    e gosto pessoal dos estudantes... Entretanto,
    discordo que Dom Casmurro seja apenas "...pequenas intrigas da burguesia carioca do século XIX...". É muito mais do que isso, é a habilidade de Machado de perpetuar até o momento presente uma dúvida... É a habilidade que ele tem em incutir finas ironias durante a leitura (o que, não sei você, mas eu acho muito divertido) e inovar, dialogando com o leitor... Mas, cada um tem seu gosto, só tenho a dizer que amo ler Machado e manifestar minha opinião diversa nesse mar de homólogas...
    Obrigada.

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  24. Pode ser clássico, pode ser riqueza literária nacional, pode ser inteligente e eu não discordo de nada disso, agora que é um tremendo PORRE ,isso é. Apenas 4 páginas de Dom Casmurro me fez ver que estava diante de uma história de corno; tentei ler Memorias póstumas e só aguentei até o cap 5. Não, definitivamente Machado é chato e irritante como leitura com seu estilo pomposo e rebuscado. Prefiro mil vezes Graciliano Ramos ou Aluisio Azevedo. Tenho minha pequena bagagem literária e nada melhor que VC DESCOBRIR seus autotes e realmente gostar deles. Melville, Poe, Twain, Agatha Christie, Stephen King etc etc etc etc etc e centenas de etc que já li e recomendo. Desconfio que muitos que defendem Machado o fazem somente para parecer cultos e inteligentes. Empurrar um único autor na garganta dos estudantes porque alguém ou alguns acham que ele seja imprescindível é de uma imbecilidade cavalar.

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