24 de abr de 2010

Não filosofe na rua

João era um cara comum, tinha um emprego comum, uma família comum, uma rotina comum; pode se dizer que a vida de João era do tipo mais comum que se pode imaginar.

Um dia João acordou logo cedo com o barulho estridente do seu despertador, se levantou, foi ao banheiro, escovou os dentes, tomou café, deu um beijo nos filhos que ainda estavam dormindo, deu um beijo e um tchau para a mulher que também sairia para trabalhar mais tarde e foi para a parada de ônibus esperar o veiculo que o levava todo dia para seu emprego comum.

Enquanto esperava o ônibus, João olhou para o céu, onde lá longe nuvens muito brancas se dispersavam pelo céu do amanhecer. De repente João se deu conta de como o Universo era gigante e de como não passamos de pequenas partículas vivendo em uma grão de poeira cósmica em algum canto do Universo.

De repente João se deu conta de como ele era pequeno diante do universo e de como o conhecimento que ele tinha ou que qualquer outra pessoa tivesse era pequeno perante todo o conhecimento que se poderia ter.

De repente João percebeu como as pessoas são cegas, pois vivem como se suas vidas representassem o total da existência quando na verdade suas vidas são muito pouco.

De repente também se deu conta de como as pessoas não são elas mesmas, pois são apenas um reflexo do meio ao qual estão condicionadas, ele próprio havia acreditado a vida toda que era o único responsável pelas escolhas que tomava, mas de repente isso não fazia mais sentido; todas as suas escolhas haviam sido determinadas pelo meio e pelas relações estabelecidas com este. Não havia livre arbítrio, apenas escolhas limitadas pelo que ele era e pelo ambiente que o cercava.

De repente João se deu conta que ele era apenas a coisa que foi criada para ser.

Então João se deu conta que não havia Deus ou algo assim, e se todos os povos, em todos os lugares do planeta criaram mitos para explicar sua existência, isso não passava de uma característica evolutiva comum da raça humana. Com a sapiência viria o percepção de finitude da vida, e um animal racional que soubesse que iria morrer não poderia existir sob a Terra, pois acabaria desistindo de perpetuar a sua espécie. A mesma natureza (ou erro evolutivo) que nos tornou conscientes de nossa mortalidade nos permitiu enganarmos a nós mesmos e fingir que somos imortais, se não nesse mundo em outro, pois só assim nossas mentes estariam livres o suficiente do medo da morte para garantir a continuidade da espécie.

Será que já houve algum animal que se tornou sapiente mas que não tinha um deus para se enganar e acabou desaparecendo?

De repente João se deu conta de como ele era limitado para entender o mundo que o cercava, pois ele tinha acesso somente as informações que eram fornecidas pelos seus sentidos. Como seria uma pessoa que conseguisse 'enxergar' todo o espectro da luz, que pudesse 'ouvir' todas as frequências sonoras, que pudesse sentir cada átomo, cada onda, e cada partícula que tocasse seu corpo?

De repente João começou a olhar as pessoas ao seu redor e se perguntar como elas conseguiam  simplesmente estar ali, sem se dar conta de todo um universo que poderia ser descoberto e discutido. João queria correr para o meio da rua e gritar com toda a força de seus pulmões, para que todas as pessoas acordassem do sono em que estavam vivendo, talvez desde sempre.

E efetivamente João correu para o meio da rua, e no momento que iria dividir a sua epifania com todos que estivessem ao seu redor um veículo o atropelou. Era o ônibus que o levaria para o trabalho.

João ficou alguns dias internado no hospital e perdeu a memória do que aconteceu logo antes do acidente, o médico disse que isso era normal. João não lembra nem de ter andado até a parada de ônibus naquela manhã e não faz idéia de como foi parar no meio da rua.

Mas João tem a impressão de que ele tinha alguma coisa importante para lembrar.

22 de abr de 2010

A arte que ninguém entende

Me chamou a atenção um caso inusitado relatado no blog do Luciano Trigo no G1

Uma performance do artista plástico Pedro Costa, realizada no 13º Salão de Artes Visuais de Natal na sexta-feira passada, está causando polêmica. Membro do grupo “Solange Tô Aberta!”, Costa tirou a roupa em frente ao público e, de quatro, tirou um terço… do ânus. A performance foi filmada e está em exibição, na galeria Newton Navarro, da Funcarte. O terço também está sendo exposto. O Salão, promovido pela Prefeitura de Natal, está aberto à visitação até 30 de abril. O artista explicou que sua obra representa a “a descolonização do corpo através da excretação [sic] do terço, um dos símbolos do domínio colonialista”. (continue lendo no blog do Luciano)

Depois de ler este trecho do post tive certeza de algo que eu já desconfiava a algum tempo: os artistas e os especialistas em arte estão nos enganando.

Alguém mostra um monte de rabiscos num papel, atribui uma temática aos rabiscos, indica de onde veio a inspiração e chama aquilo de arte.

Se você disser que não entendeu nada e que, se te perguntassem, não saberia dizer se aqueles rabiscos foram feitos por um artista ou por uma criança no jardim de infância irão te chamar de ignorante e dizer que você não entende nada de arte.

Minha visão de arte não admite o simples ato de tirar um terço do ânus como uma manifestação artística. Mas como eu não sou um especialista é melhor restringir minha opinião a este humilde blog - que eu garanto a vocês: não tem nada de artístico.

14 de abr de 2010

IceBreaker Design: por um Blogger mais bonito e profissional


Post rápido para falar de um assunto que muito interessa a quem bloga no Blogger :)

O Sérgio Estrela, do meta-blog Icebreaker lançou essa semana o projeto IceBreaker Design, onde você pode comprar templates e contratar serviços especializados para a plataforma Blogger.

Pra quem não conhece, o Sérgio é um verdadeiro artista quando o assunto é layout de blogs e é o autor de alguns dos mais lindos templates para o Blogger que eu já vi.

Para conhecer o trabalho e serviços oferecidos pelo IceBreaker Design clique na imagem abaixo ou no link no inicio deste post.

Esta aí um verdadeiro tapa da na cara de quem diz que não é possível ter um blog profissional no Blogger.

3 de abr de 2010

Religião, fé e ignorância.


Em um caso recente, jogadores do clube de futebol Santos, se recusaram a entrar em uma instituição que ajuda pessoas com paralisia cerebral chamada Lar Espírita Mensageiros da Luz; estes jogadores foram até a instituição mas decidiram ficar no ônibus do clube e não participar de uma ação beneficente onde o clube fez uma doação simbólica de 600 ovos de Páscoa que seriam vendidos na loja do clube para ajudar a instituição. Especula-se que a causa da recusa dos jogadores em participar da ação sejam motivos religiosos, já que se tratava de um lar espirita e os jogadores eram evangélicos. Também ouvi dizer que o boicote a visita foi uma forma de protesto por causa de atrasos no pagamento de direitos de imagem aos jogadores.

Se o motivo foi atraso de pagamento, só posso dizer que esses jogadores foram muito mesquinhos, se negando a participar se uma ação que beneficiaria pessoas que precisam de ajuda; também foi desdenhoso e infantil ir até o local e se recusar a entrar na instituição.

Se o motivo foi religioso, só posso sentir pena desses jogadores, pois só alguém muito ignorante é capaz de colocar preceitos religiosos acima das noções básicas de solidariedade e generosidade que qualquer pessoa deveria ter e demonstrar.

Não critico a fé (ou falta de fé) de ninguém, mas acho importante discernir entre o que é certo ou errado, independente de qual religião se segue. Colocar o dogma acima do bom senso é estupidez.

Também me parecem estupidas aquelas pessoas que se fecham para o conhecimento e para o que existe de diferente no mundo, porque ouviram um padre ou pastor mal orientado e mais interessado nos benefícios deste mundo do que na salvação espiritual do seu rebanho, falar que todas as verdades estão unicamente na bíblia e nos sermões que ele passa e qualquer coisa além ou diferente disso é coisa do diabo e deve ser evitada e extirpada.


Quem nunca se irritou e teve vontade de calar a boca de uma salsinha de cristo que atire o primeiro salmo.